Amarante: a Princesa do Tâmega

A Região

2020-06-22

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A bonita cidade de Amarante é uma das joias do Norte de Portugal. Banhada pelo rio Tâmega, é como uma encruzilhada, para onde confluem a história, as tradições e a natureza, proporcionando, para lá das suas fronteiras, a descoberta do Douro, do Minho, de Trás-os-Montes e das Terras de Basto, com as quais faz fronteira. Embarque num Cruzeiro do Douro e conheça esta cidade tão única e especial. Sinta-se convidado!

Descobrir Amarante é uma aventura que apetece viver! Aqui, a História pode ser lida em cada recanto, cada lugar, cada monte. Se procura arte e cultura, o percurso faz-se pela cidade, com passagem obrigatória pelos museus de Arte Sacra e de Amadeo de Souza-Cardoso; pelas Igrejas de S. Gonçalo, S. Pedro e S. Domingos e outros exemplares do barroco e do românico, espalhados pelo município. Se o seu fascínio é a natureza, então o destino é as Serras do Marão e da Aboboreira, que oferecem paisagens de sonho, trilhos encantadores e aldeias de xisto e granito ricas em tradições. O rio é o Tâmega, «rio divino do sagrado vale», no dizer de Teixeira de Pascoais. Vem de longe, dos lados de Chaves, e corre até ao rio Douro. No seu percurso, dá corpo a uma inconfundível paisagem de vales idílicos e de águas límpidas descendo pelas levadas.

 

Amarante é uma placa giratória a proporcionar a descoberta do Minho, de Trás-os-Montes e das Terras de Basto, com as quais faz fronteira geográfica. Proporciona, também, a descoberta do Douro de dois modos: fica a 30 km da Régua, centro económico da região do Alto Douro Vinhateiro, e está ligada pela Linha Férrea do Tâmega à estação da Livração, na Linha do Douro. Por outro lado, está a uma distância de 60 km do Porto. No seu centro, ostenta mansões do século XVII com varandas de madeira pintadas em cores garridas ao longo das ruas estreitas e restaurantes e pastelarias com terraços sobranceiros ao rio.

 

 

Um passado remoto e um precioso centro histórico

Os vestígios arqueológicos abundam em Amarante, dispersos por todo o concelho. Em Carvalho de Rei, por exemplo, são inúmeros os vestígios de um passado milenário: a Lapa do Beirão, o lugar do Castelo, as Meninas dos Castros e restos de dólmenes, já na fronteira com Baião, a que o povo chama, poeticamente, “pedras baloiçantes” e “casinhas dos Mouros”.

 

Amarante possui, também, uma das mais belas pontes portuguesas, robusta nos seus arcos graníticos, que constituiu durante séculos (mesmo antes da data de 1790 que ostenta) ligação fundamental da cidade do Porto com a região de Trás-os-Montes. Ponte heroica, é recordada pela defesa que as tropas do general Silveira nela fizeram, em 2 de maio de 1809, contra os invasores franceses.  Parte da cidade ardeu, aliás, nesse ano, aquando do cerco pelos franceses do marechal Soult.

 

 

São Gonçalo, o santo casamenteiro

Mas a personagem mais importante da identidade cultural de Amarante é, sem dúvida, São Gonçalo. A seu respeito existe um sem-número de lendas. Eis alguns exemplos: São Gonçalo terá nascido por volta de 1190 e fixou-se em Amarante por volta de 1250, depois de peregrinar por Roma e Jerusalém. Quando a velha ponte romana sobre o Tâmega caiu durante as cheias do século XIII, diz-se que foi São Gonçalo quem a reconstruiu. A sua figura ficaria, no entanto, célebre no folclore popular como casamenteiro e folgazão. São muitas as histórias a respeito das festas que organizou para arranjar maridos para as mulheres, afastando-as das “tentações”, pelo que ficou associado aos casamentos e à fertilidade. No primeiro fim-de-semana de junho, a festa de São Gonçalo começa com orações a pedir um marido e com a oferta de Bolos de S. Gonçalo, em forma de falo. Esta festa consiste, tradicionalmente, em ir à igreja onde o santo é venerado, levar-lhe um ramo de cravos, puxar-lhe pelo cordão do hábito e tocar a sua “relíquia” para que esta favoreça a mulher nos seus anseios amorosos.

 

A atual ponte de Amarante atravessa o rio Tâmega para a Igreja de S. Gonçalo. Na capela à esquerda do santuário, a imagem do túmulo de São Gonçalo foi desgastada pelos abraços de milhares de devotos. A Igreja e Convento de São Gonçalo são o ex-libris de Amarante. As obras deste importante conjunto monástico tiveram início em 1543 e apresentam, na sua arquitetura, influências renascentistas, maneiristas e barrocas. A fachada lateral possui a parte mais imponente deste conjunto, formado por um soberbo portal e a célebre Varanda dos Reis, onde se incluem as imagens de D. João III, D. Sebastião, D. Henrique e de Filipe II, de Espanha.

 

 

O Diabo e a Diaba de Amarante

Alojado no antigo claustro do mosteiro, fica o Museu Amadeo de Souza-Cardoso (1887-1918), um dos principais artistas portugueses do século XX e natural de Amarante. O museu contém uma coleção de obras cubistas do pintor que lhe dá o nome. Em exposição há também um par de figuras relacionadas com um estranho culto de fertilidade: o Diabo e a Diaba de Amarante, esculpidos em madeira negra no século XIX. No dia 24 de agosto (em que, segundo uma velha superstição, o “Diabo anda à solta”), as pessoas não trabalhavam em Amarante e ofereciam oferendas às bizarras figuras. Em 1870, o então arcebispo de Braga, preocupado com a popularidade dos diabos e sob o pretexto da indecência dos mesmos, mandou queimá-los. Mas a ordem não foi executada, limitando-se os encarregados da operação a castrar o diabo.

 

A Procissão dos Diabos é um cortejo que ainda hoje tem lugar no dia 24 de agosto e que celebra o regresso dos “Diabos de Amarante”.

 

Doces tentações de Amarante

A cozinha de Amarante é baseada em pratos substanciosos, como o cabrito serrano, a vitela maronesa, o bacalhau, as feijoadas e as tripas, regados pelo bom vinho verde, que aqui encontra condições únicas de maturação. A rematar a boa refeição, temos a doçaria conventual moldada pelas mãos das freiras de Santa Clara.  A oferta é variada: desde papos d’anjo, foguetes, lérias ou brisas do Tâmega, o difícil é escolher.

 

 

Boa comida, cultura e tradição. Este é o menu de sucesso para uma visita que o vai surpreender. Reserve já o Cruzeiro 3 Dias: Segredos do Douro e Tâmega e descubra Amarante, uma pérola e destino obrigatório do Norte de Portugal.

Tânia Nogueira

Publicado por:

Tânia Nogueira

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