Bem-vindo a Barca D'Alva!
Publicado por: Inês
25 fevereiro 2015
E aqui estamos, no limite do Rio Douro em território português: Barca D’Alva. Daqui já se avista solo espanhol. Localidade erguida na margem esquerda do rio, prima pela sua beleza natural.
Inserida no Parque Natural do Douro Internacional, esta aldeia foi positivamente influenciada após a construção do seu cais fluvial e com a ligação ferroviária à vizinha Espanha. Recebe visitantes, movidos pela curiosidade, que viajam para explorar um dos locais mais genuínos do Douro. Junte-se a nós e descubra a encantadora Barca D’Alva…
A Navegar até Barca D’Alva
Atualmente, já se encontram disponíveis vários acessos para alcançar esta aldeia recôndita, escondida no Douro. Ora seja por estradas, ora seja de comboio. No entanto, a melhor opção é, sem dúvida alguma, um incomparável cruzeiro pelo Douro.
E como esta viagem de barco é uma experiência inesquecível, tem ao seu dispor uma panóplia de ofertas que o trazem até Barca D’Alva, dando-lhe a oportunidade de tirar maior partido da região do Douro. Pode optar por partir do Porto, da Régua ou até mesmo do Pinhão. A duração da viagem também pode variar consoante o gosto de cada um. Acredite que esta a viagem vale mesmo a pena!

Barca D'Alva é a localidade que delimita o Rio Douro em território português fazendo fronteira com Espanha
Parque Natural do Douro Internacional
Uma vez esta aldeia está inserida no Parque Natural do Douro Internacional, faz todo o sentido que lhe explique do que se trata. Este parque íntegra quatro concelhos distintos: Figueira de Castelo Rodrigo, Freixo de Espada à Cinta, Miranda do Douro e Mogadouro. Para além disso, abrange 122 quilómetros de troço fronteiriço do Rio Douro e do seu afluente, o Rio Águeda.
Este parque dispõe de um riquíssimo património de fauna e flora com paisagens absolutamente deslumbrantes. Aqui um objeto que não poderá dispensar são os binóculos para que possa assistir a um verdadeiro espetáculo aéreo protagonizado por aves raras, como o grifo, o abutre do Egipto, a cegonha-preta, a águia-real, a águia de Bonelli e muitas outras. Será, sem dúvida, um espetáculo digno de aplausos!

Barca D'Alva está inserida no Parque do Douro Internacional
O Desabrochar das Amendoeiras em Flor
É precisamente em finais de Fevereiro (ou, consoante o ano, em inícios de Março) que a amendoeira em flor nasce, vestindo a aldeia de branco, com ligeiros tons de lilás e rosa, para mostrar aos seus visitantes toda a sua beleza primaveril. É nesta altura que a localidade é anfitriã da “Festa do Almendro”, uma celebração na qual a amendoeira em flor é rainha.
Sabe qual a razão de ser da “Festa do Almendro”? Aliás, sabe o que “Almendro” quer exatamente dizer? Almendro é a palavra espanhola para amêndoa. Assim, já pelo nome se percebe que esta celebração ultrapassa fronteiras. Com 72 anos de existência, esta festa reúne milhares de pessoas, portuguesas e espanholas. Este evento procura mostrar um pouco da gastronomia e artesanato da região, apadrinhados pela amendoeira em flor.
A tradição desta festividade remonta ao tempo em que a estação ferroviária de Barca D’Alva, na linha do Douro, se encontrava em funcionamento. E era este mesmo meio de transporte que trazia os milhares de turistas que vinham contemplar as amendoeiras em flor.
Para além desta flor característica conferir uma paisagem única a Barca D’Alva, esta celebração contribui, também, para o seu desenvolvimento económico. Mas com a estação ferroviária encerrada, os transeuntes diminuíram. O povo de Barca d’Alva acredita que se abrissem novamente a estação, o volume de visitantes seria como fora outrora.

Na Primavera, a região celebra o florescer da sua flor típica, a amendoeira em flor
A Estação Ferroviária que tanto se anseia…
Como lhe disse anteriormente é possível usufruir de uma calma e agradável viagem de comboio “quase” até Barca D’Alva. Quase porque, de facto, a estação de comboios de Barca D’Alva encontra-se encerrada. Deste modo, se a estrada não for uma opção viável para si, tem a possibilidade de viajar de comboio até à Régua, ou mesmo um pouco mais acima até ao Pinhão, e seguidamente embarcar num cruzeiro até Barca D’Alva.
Indubitavelmente, estas hipóteses serão do seu agrado. Por duas razões: pela linha ferroviária do Douro descobrirá as paisagens mais deslumbrantes sobre o Rio Douro, e a viagem de barco dar-lhe-á uma perspetiva completamente diferente mas, igualmente, avassaladora.
Citada por Eça de Queiroz no livro “A Cidade e as Serras”, a estação de Barca D’Alva é descrita da seguinte forma: “Era uma Estação muito socegada, muito varrida, com rosinhas brancas trepando pelas paredes-e outras rosas em moitas, n'um jardim, onde um tanquesinho abafado de limos dormia sob duas mimosas em flôr que rescendiam. Um moço pallido, de paletot côr de mel, vergando a bengalinha contra o chão, contemplava pensativamente o comboio.”

A estação ferroviária de Barca D'Alva encontra-se encerrada desde 1987
Desde 1887 esta estação constituíu uma importante paragem do comboio rápido que fazia a ligação entre o Porto e Paris. Poderá ver, ainda, por cima da porta central da estação a inscrição “Grande Velocidade”.
Encerrada desde 1987, dela apenas restam algumas estruturas que em tempos prestavam apoio à circulação de comboios, tal como o velho depósito de água (importante para apoio às locomotivas a vapor), ou mesmo a plataforma giratória que permitia que as locomotivas a vapor invertessem a sua marcha. Esta é, agora, uma estação abandonada que esconde toda a sua história… Será que algum dia veremos algum comboio passar novamente por aqui?

Ainda persiste a plataforma giratória de apoio às locomotivas a vapor
Barca D’Alva de Guerra Junqueiro
Alta personalidade da literatura portuguesa, Abílio Manuel Guerra Junqueiro nasceu em Freixo de Espada à Cinta. Educado em berço de uma família de lavradores abastada, cedo traçou o seu destino intelectual.
Sendo poeta e escritor, procurou durante anos inspiração em terras de Barca D’Alva. Por isso mesmo, esta personalidade marcou a região com o seu nome e legado. Depois de uma vida conturbada e difícil proporcionada pela época, Guerra Junqueiro acabou por falecer na cidade de Lisboa. E por tudo o que ele representou para o país, conquistou o seu lugar no Panteão Nacional.

Barca D'Alva era o refúgio e a inspiração para a escrita de Guerra Junqueiro
Pode até parecer-lhe uma aldeia pacata, localizada no limiar do Douro, mas acredite que merece a sua visita. Aproveite a dica e viaje até Barca D’Alva usufruindo de um relaxante cruzeiro pelo Douro. Talvez as melhores datas serão em meados de Maio ou no mês de Setembro, para que possa observar as diferenças que ocorrem na paisagem (essencialmente as cores). Mas se tiver oportunidade, visite Barca D’Alva por esta altura para que possa contemplar o florir da amendoeira. E por fim, explore um pouco mais a história rica desta Região. Partiria neste momento? Arrume as suas malas e embarque nesta aventura!